A magia do Norte

Comecei a pesquisar o norte do Brasil de forma muito descompromissada, não sabia bem o que me atraia na região, mas senti uma necessidade de conhecer melhor o vocabulário peculiar e as comidas de nomes estranhos. A sonoridade de palavras, como por exemplo: maniçoba, tacacá, tucupi, despertaram em mim uma grande curiosidade. Que textura, saber, aroma teriam esses pratos? 

Não conhecia absolutamente ninguém do Norte, algumas lendas amazônicas fizeram parte da minha infância, mas até aí muitas outras histórias do Sul também fizeram parte da minha formação. Há nisso tudo um mistério, um desejo obscuro, e confesso que até hoje não sei explicar, mas toda essa magia envolvendo a floresta foi uma mola propulsora para o meu imaginário e matéria-prima para a minha escrita. 

Estive no norte pela primeira vez em 2015, em Macapá. estado do Amapá, e me defrontei  com o Rio Amazonas. Imponente, uma obra de arte de misteriosa essência construída pela natureza, ali tive a nítida impressão que o rio falava e era ele o verdadeiro governante da cidade. 

Em Macapá, conheci a linha do Equador e o monumento do Marco Zero. Tirei uma clássica foto com um pé no hemisfério norte e outro no sul, e escutei as histórias do guia do museu, mantido junto ao monumento. Ele contou-me sobre o Equinócio de Primavera. Um evento famoso, com duração de 4 dias, que acontece em setembro quando ocorre o alinhamento do sol com a linha imaginária do equador. Nesse dia, o monumento do Marco Zero do Equador projeta uma sombra sobre a linha do equador, divisão dos dois hemisférios, e se vê o sol pelo círculo vazado no topo monumento. Um fenômeno de início de novo ciclo marcado pelo calendário pelo começo da primavera. 

Provei todas as comidas possíveis e a cada garfada me surpreendia com os sabores totalmente indecifráveis ao meu paladar. O tacacá, por exemplo, de origem indígena, servido em cuia, contém um caldo amarelado chamado tucupi e também o jambu, uma erva amazônica que adormece a boca. O preparo é misturado com goma de tapioca e camarão seco. Uma comida exótica, não apenas pelo sabor, mas pela sensação inesperada que causa na língua e lábios. 

Não posso deixar de falar das pessoas do norte. À princípio, pensei que essa forma de tratar os visitantes era apenas em Macapá, mas pela experiência que tive depois, parece que é em todo o Norte. Veja bem, quando se pedi uma informação na rua, a direção de um lugar, a pessoa faz questão de te acompanhar até o destino e se certificar que você não se perdeu. No mínimo curioso para quem vive numa cidade como São Paulo.  

No norte existe uma magia, e essa atmosfera misteriosa da natureza, das lendas, das festas, dos sabores desperta em mim um desejo. Há um labirinto silencioso na Amazonia que quero percorrer, e sei que não necessariamente irei chegar num lugar de força, porque a selva também é muito frágil. Mas todo o cenário, belo cenário, me chama para um mergulho no meu imaginário. O imaginário da escritora. 

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