Conceituadores


Ontem vi uma árvore vermelha e pensei então que finalmente vejo uma árvore da cor que ela é. Pode parecer absurdo, mas tenho que dizer que as árvores são vermelhas. Claro, eu sei, tem a lógica, a regra, a história, tem a floresta Amazônica, verde. Enfim, tem o imaginário coletivo. Árvore verde, e aqui se tem um fato. Um fato pautado por uma definição, que se torna uma forma de ver o mundo e entender que árvores são verdes. Porém, preciso dizer, cansei das definições.

Aliás, essa forma de mostrar como as coisas são, como o ser humano deve pensar, como ele deve desejar, como ele deve concluir e se comportar passa por uma coisa chata chamada pensamento. Hegel conclui, Sigmund Freud afirma, Nietzsche disse e aí o ser humano faz suas interlocuções, e faz suas interpretações, e entra num terreno de ideias pré moldadas, que o faz acreditar o quanto inteligente ele é. 

Esses dias num ataque de fúria quis que Nietzsche morresse junto com seu Deus e deixasse a humanidade em paz, fora das suas brilhantes ideias. Essa minha loucura me trouxe a vontade de me livrar do pensamento, e assim quem sabe me livro também do julgamento. Seria ótimo. 

Mas a verdade é simples, não pensar me coloca num campo que percorre os vetores da ingenuidade, um perigo sepucral, sei disso, ainda mais para quem escreve. Alguém, sei lá quem, já regrou, o escritor não pode ser ingênuo. Ai, ai, ai, que saco. O escritor “não pode ser” e aí temos um regra. De certo, a ingenuidade é uma chacina dos vários eus,  ou não, eu (não) sei, e te coloca numa posição vulnerável, uma posição que pode ser interpretada como burrice e você fica a mercê dos conceituadores, seres que te tatuam conceitos assim que você termina de dizer qualquer coisa, porque tudo está definito e pre estabelecido e moldado. Segundo eles, sempre urge rotular e definir, ainda mais quando a matéria prima os convém e dialoga com seus próprios desejos. `

Então, cansei, cansei e cansei. Não vou mais pensar, e por fim assumir a minha ingenuidade. Certo que nessa me ferro, e ainda seguirei me ferrando nas mãos macias dos conceituadores, mas não posso fugir do meu maior desejo de me conectar com o que acredito, a natureza, e lá tenho que ir sem nenhum pensamento, sem nenhuma definição, para não entender o mesmo do mesmo do mesmo. Quero o que não existe, ah sim, não quero mais existir no desgaste desnecessário do que temos até aqui. O que me interessa está na natureza, pronto. A filosofia, a antropologia, a sociologia já tem muitos adeptos e não irei ser mais uma, quero dizer tchau, foi um prazer, você são uns amores, mas deixei o pote de açaí fora da geladeira e preciso ir para casa. Um beijo. 

Sigo rumo ao que é meu, mesmo sabendo que não será fácil, a natureza também é cruel. De certo, mais cruel que os conceituadores, porque aqui não há regras e tudo é permitido. Deleite e medo. É um grande risco, um perigo que pode inclusive engolir por mandíbulas de xintinyn, e você pode perder o caminho de volta e de lá nunca mais sair. Ferrou! Mas é isso ou tudo diferente. 

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